Todos estávamos em formação. Uma alegria retumbante, quase
 incontrolável, transbordava de nosso ser. Estávamos mais brilhantes do
 que o normal. A pura Luz da qual fomos formados irradiava nossa
 mente. Estávamos prontos. Era chegada a hora. A operação para a qual
 fomos forjados durante todos esses séculos. A missão que tanto
 ouvíamos falar, que por tanto tempo esperávamos chegar.

 O resgate dos santos. A Extração. Era uma mistura de excitação e
recato…

 Éramos um pequeno destacamento. Tínhamos nossos destinos certos. O
 Espírito nos mostrou quem e onde. Eu ainda continha meu entusiasmo
 quando o Vento soprou, nos arrebatando para o mundo dos homens. Meus
 irmãos alaram com grande poder e habilidade. Treinamos muito para
 isso.

 Estouramos como raios, cada um para o seu rumo. Fomos rápidos. Não
 podíamos demorar, muito menos errar. Era tudo muito escuro e sombrio
 com poucos pontos de luz servindo-nos de referência. Muitos eleitos
 estavam atravessando a Porta. Não os deixaríamos esperando.

  Pairando sobre tudo aquilo até o meu destino, não pude ignorar o labor
  do remanescente do Altíssimo. Tantas lágrimas. Tanta dor. Tantas
  lutas. Tanto sacrifício. Um verdadeiro estado de emergência! Ah! se eu
  pudesse tira-los daqui! Se ao menos eu pudesse lhes revelar o que
  lhes espera ao final de sua perseverança.

 Mas não era a minha missão. E pra minha surpresa, também não era a que
  eu esperava.

 Chegando a alma para a qual fui designado, o Espírito falou comigo.
 Aquietei por instante.

 Lendo algo que lhe fortalecia, a encontrei diante de um eletrônico
 mundano. Ela estava muito bem acompanhada por um respeitável
 contingente que a protegia. Era importante. Com certeza era muito
 importante. Saudei a todos e cheguei mais perto, não podia deixar de
 contemplá-la, ainda que por um momento. A imagem e semelhança do
 próprio Deus! Que honra!

 – Chegou a hora?! – Me perguntaram, atônitos.

 “Será um imenso prazer, guiá-la de volta pra Casa” – sussurrei, antes
 de lhes responder:

 – Não. Ainda não.


 Texto baseado na letra da canção “Tears of the saints”, Leeland.
 (http://bit.ly/2iVltLv)

 Autor: David Boni

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