“No fundo eu sabia que, se eu entrasse em coma, morreria, simplesmente
porque
não teria forças para lutar contra aquilo”, conta Thiago Vassoler,
relembrando com detalhes o momento mais crítico de sua vida.

Ele sempre foi um garoto de muita saúde, um menino com uma infância
tranquila, mas com um diferencial: aprendeu desde pequeno que em uma
situação extrema precisamos tomar atitudes extremas.

Um dia como outro qualquer, Thiago precisou fazer uma cirurgia no
estômago para lhe deixar mais saudável do que já era. Era
algo simples, que não tinha risco de infecção. A possibilidade de
algo dar errado era mínima.

Só que infelizmente algo não saiu como o
planejado, e no décimo dia após a cirurgia, ele começou a sentir fortes
dores, mesmo
seguindo todas as orientações médicas.
“Comecei a sentir dores abdominais. Era insuportável. E dois dias depois
eu não aguentava mais
e procurei o médico. Lá no hospital fiz os exames e foi constato que
eu tinha um abcesso, um líquido na minha região abdominal”, disse.

O abcesso é um líquido de inflamação e o corpo humano luta contra
isso. Naquela situação, Vassoler se viu no escuro, já que nem ele nem
os pais sabiam do que se tratava.

No dia seguinte ao resultado dos exames o doutor falou: “Olha, preciso
que você vá para o hospital agora, eu vou te internar”, relembra
Thiago. Apesar do choque, tanto para ele quanto para seus pais,
imaginaram que se a internação era para o bem do filho, que assim fosse.

Porém, após ser internado o drama só aumentou, pois as notícias não
foram animadoras, seria preciso outra cirurgia. “Nisso, a gente fica:
“Meu Deus?”, ressalta Thiago.

Após a operação o estado de saúde de Thiago foi dado como certo,
contudo às vezes algumas cenas tristes de nossas vidas insistem em
continuar mais um pouco. Dois dias depois ele estava sentindo muita
falta de ar, ao ponto de nem mesmo a máscara de oxigênio ser
suficiente para sua respiração. Além disso seu batimento cardíaco
estava a 150 por hora e a pressão caindo.

Das poucas partes que consegue lembrar, Vassoler ressalta o comentário
da médica para sua mãe: “Vou levar seu filho pra UTI. Eu acho que a
senhora não sabe o que está acontecendo, ele está com infecção
generalizada. Ele só está com a consciência.”

Segundo ele, foi aí que ficaram sem chão, pois tinha consciência, mas
já estava desfalecendo e seus órgãos falhando. “Eu via toda a
situação, mas não tinha forças para falar, porém dentro de mim eu
tinha muita revolta. Era como se toda aquela situação se passasse
pelos meus olhos a todo o momento. Eu não aceitava aquilo”, conta
emocionado.

Só ouvindo toda aquela situação as lágrimas escorriam de seus olhos,
segundo ele, não de tristeza, mas sim de indignação. Ele rejeitava
aquilo.

Em meio ao desespero e quando o capítulo de sua história parecia estar
chegando ao fim, e com um final bem triste, vale ressaltar, Thiago
lembrou do que tinha aprendido desde a infância: Para situações
extremas é preciso tomar atitudes extremas. Ele enxergou o sacrifício.

Seu pedido para sua mãe foi direto e decidido: “Presta bem atenção,
mãe, fala pro meu pai que só tem um jeito disso tudo mudar, então diz
pra ele vender tudo meu. Não importa o que seja, vende e coloca no
altar. Só o altar pode me tirar daqui.”

Quando terminou de falar com sua mãe eram sete horas da manhã, e mesmo
antes dela ligar para o esposo, pôde ver o corpo do filho voltar ao
normal. “Minha respiração foi voltando, meu batimento cardíaco
diminuindo e minha pressão aumentando. Era como se tivessem injetando
forças nas minhas veias”, contou Thiago.

Ele ainda ressalta que não sabia como, mas naquele momento uma certeza
tomou conta dele e algo lhe dizia que tudo o que acontecesse dali para
frente seria para sua recuperação.

O filho de dona Cláudia Vassoler se tornou o centro das atenções no
hospital, já que ele era o garoto que uma hora antes estava entre a
vida e a morte. Thiago já não precisava mais de máscara de oxigênio
e podia, inclusive, andar no hospital.

“Eu era um quadro atípico. O médico se perguntava como meu corpo se
recuperava de uma forma tão rápida”, disse. Vassoller fez novamente
vários exames, mas nenhuma infecção constava em seu organismo. Até
mesmo o líquido de sua barriga estava limpo.

Uma pessoa que sofre de infecção generalizada, tem grandes riscos de
que seus órgãos sofram sequelas, mas os de Thiago Vassoler se tornaram
como os de um bebê.

“Fiquei um tempinho no hospital, porque eles não queriam me dar alta,
para eles era impossível minha recuperação tão rápida. Os médicos
só viam três possibilidades pra mim: UTI, coma ou morte”, ressalta.

Uma situação como essa exige muita coisa, e algo que foi fundamental
para Vassoler foi a dependência. “Podia ser a pessoa mais inteligente
da face da terra, mas ela não conseguiria parar aquela situação.
Então, eu só tinha Deus”, contou.

Para sua família não foi nada fácil também. Sua mãe sentiu a dor do
filho e em alguns momentos não conseguiu segurar as lágrimas, contudo
ela percebeu que não seria isso a impedir a morte de levar seu filho,
mas sim o altar.

“Assim como eu sacrifiquei meus pais também sacrificaram. Minha mãe
estava entre a emoção materna e a fé que poderia sustentá-la. Se eu
fosse pela emoção materna eu não tinha sacrificado, eu tinha que ir
pela revolta da minha fé”, relembra Thiago.

Hoje, ele fala com propriedade de algo que mudou sua vida: o sacrifício.
“É isso que as pessoas têm que entender, que realmente a situação
pode ser a pior, mas a fé nos sustenta ao ponto que a emoção não tem
vez”, afirma.

“No momento que eu estava entrando em coma tive que chamar Deus na
terra, transformar aquele leito no meu altar, para que então houvesse
mudança. E foi o que aconteceu”, finaliza Thiago.

1 Comentário

  1. Meu marido estava em uma situação parecida com traumatismo .Mas eu nao fiz o mesmo nao tive a revoltTe não sacrifiquei e meu marido se foi eo piorte que wu nao sei se ele foi salvo se houve tempi pra se arrepender. .ele sempre falavat que nao entendia porqye Jesus morreu por nos ..mas ele tinha o coração bom espero que o senhor tenha salvo sua alma

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here